“Revista do IEB” discute o exclusivismo da Semana de 22 – Jornal da USP

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Nove artigos compõem o dossiê Paralelos 22, que traz ponderações sobre o Brasil através dos séculos. No primeiro, chamado “O reverso da outra independência: participação indígena no contexto político da década de 1820 (Cimbres, Pernambuco)”, a historiadora Mariana Albuquerque Dantas busca compreender as motivações que levaram indígenas a se posicionarem em conflitos da elite no período colonial. Já o artigo “Suspensão de garantias no pós-Independência do Brasil: indefinições legais, vigilância parlamentar e vulnerabilidade de direitos”, de Vivian Chieregati Costa, mescla análises históricas e jurídicas para investigar o processo de privação das liberdades individuais dos cidadãos do Império brasileiro.

“Os debates, no primeiro modernismo, sobre nacionalismo versus regionalismo, ‘herança europeia’ versus ‘tradição brasileira’ – ou, de modo mais específico, sobre ‘valorização do trabalho’, característica da ‘civilização europeia’, versus valor do ócio, ‘como um elemento propício à criação artística’ no Brasil – são abordados de um ângulo original por Viviane Soares Aguiar (USP), em ‘Mário de Andrade e a construção da cozinha brasileira’”, afirmam Gouveia, Galvão e Garcia no editorial. A reflexão sobre o movimento modernista reaparece nos artigos  “A máquina de Polímnia”, de Raul Antelo, que examina um texto inacabado de Mário de Andrade; “O modernismo na perspectiva de Gilda de Mello e Souza”, de Annateresa Fabris; e “Gilda & Mário: notas temáticas e estilo musical”, de Carlos Henrique Fernandes. 

A revista também apresenta dois artigos desvinculados do dossiê: “Sexualidade improdutiva e resistência na canção ‘Geni e o zepelim’, de Chico Buarque”, de Nara Lya Cabral Scabin, que analisa o caráter feminista e anticapitalista da personagem Geni; e “A infância na universidade pelo Departamento de Estudos da Infância”, de Lisandra Ogg Gomes, Aristeo Gonçalves Leite Filho e Rita Marisa Ribes Pereira.

A seção Documentação reúne anotações do processo de produção de um espetáculo no Theatro Municipal de São Paulo. Chamado “A Ópera Café de Mário de Andrade: diário do encenador”, o texto de Sérgio de Carvalho é uma amostra da atividade cultural no Theatro cem anos após ele sediar a Semana de Arte Moderna de 1922. Por fim, três resenhas literárias retomam a discussão sobre a Semana de 22: “Modernismos alternativos, preto no branco”, de João Brancato, “Devorando o Manifesto Antropófago”, de Vinicius Pontes Spricigo e Mayara Santos Carvalho Soares, e “Estorvos civilizatórios”, de Adelia Bezerra de Meneses.

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